O que faz um tricologista (e quando você precisa de um em vez de um dermatologista)

A pergunta certa não é qual dos dois é melhor. É qual dos dois resolve o que você tem, e em que ordem.

Você digita “queda de cabelo” e recebe duas respostas ao mesmo tempo. Uma diz para procurar um dermatologista. Outra diz para procurar um tricologista. Nenhuma explica a diferença, e você fica com a impressão de que precisa escolher um lado.

Não precisa. As duas áreas fazem coisas diferentes e, em boa parte dos casos, funcionam melhor juntas. O que ajuda é entender o escopo de cada uma antes de marcar.

O que é tricologia

Tricologia é o estudo do cabelo e do couro cabeludo. Na prática clínica não médica, o trabalho do tricologista e terapeuta capilar se concentra em avaliar o estado do couro cabeludo e do fio, identificar o que está atrapalhando o crescimento e conduzir um protocolo de tratamento clínico, com acompanhamento ao longo do tempo.

É uma atuação técnica e não médica. Isso define tanto o que a área faz bem quanto onde ela para, e essa fronteira é o assunto mais importante deste texto.

O que uma consulta com tricologista inclui

Histórico detalhado. Quando a queda começou, o que aconteceu nos três meses anteriores, alterações hormonais, cirurgias, dietas, medicações em uso, histórico familiar, rotina de lavagem, químicas, penteados.

Exame do couro cabeludo com tricoscopia. A tricoscopia amplia a região e mostra o que o olho não vê: variação de diâmetro entre fios vizinhos, sinais de miniaturização, estado dos óstios foliculares, descamação perifolicular, inflamação, oleosidade, aspecto dos fios na borda de uma falha.

Hipótese e explicação. O que os achados sugerem, o que dá para esperar, o que não dá, e se aquilo é caso de terapia capilar ou de encaminhamento.

Protocolo, quando indicado. Combinação de procedimentos como mesoterapia capilar, microagulhamento, PRP capilar, ozonioterapia e LED e alta frequência, com intervalos definidos pelo quadro.

Orientação de rotina. Frequência de lavagem, temperatura da água, produtos adequados, o que evitar. Rotina influencia muito mais o resultado do que a maioria das pessoas imagina.

Acompanhamento com registro. Fotografia inicial e comparações ao longo das sessões. A evolução capilar é lenta o suficiente para enganar a memória, e imagem resolve essa discussão.

O que a tricologia não faz

Este é o ponto em que vale ser explícito, porque a área tem gente prometendo coisa demais.

Tricologista não é médico. Portanto: não faz diagnóstico médico, não pede nem interpreta exames de sangue como conduta, não realiza biópsia, não prescreve medicamento nem orienta dosagem, não trata doença sistêmica e não realiza transplante capilar. Casos em estágio avançado de doença capilar não são conduzidos por terapia capilar isolada.

Também não existe promessa de cura. A alopecia androgenética, por exemplo, é genética e não se cura. Ela se controla, e controle bem feito muda bastante o desfecho, mas quem promete cura ou resultado garantido está vendendo, não tratando.

Quando o dermatologista vem primeiro

Existem situações em que o caminho começa pelo médico, e adiar isso atrasa o tratamento certo:

Nesses casos, a orientação aqui é direta: procurar o dermatologista. O cuidado capilar pode acompanhar, mas como suporte.

Quando o tricologista resolve bem

Por outro lado, há um conjunto grande de situações em que a atuação clínica capilar é exatamente o que falta:

Uma boa parte do valor está aí, no meio: pessoas com queixa real, sem doença que exija medicação, que precisam de diagnóstico do couro cabeludo, protocolo e alguém acompanhando de perto.

As duas frentes somam

Na prática do dia a dia, o cenário mais comum não é escolher entre um e outro. É ter as duas frentes ativas.

Um exemplo típico: uma pessoa com alopecia androgenética e ferritina baixa. O médico investiga e conduz a parte sistêmica e medicamentosa. O trabalho capilar cuida do couro cabeludo, estimula o folículo, controla a inflamação associada e acompanha a evolução com imagem. Nenhuma das duas frentes substitui a outra, e o resultado costuma ser melhor com as duas.

Outro exemplo: alopecia areata. O diagnóstico e o tratamento imunológico são do dermatologista. O cuidado capilar entra para manter o couro cabeludo saudável e documentar a evolução das áreas, sempre apresentado como suporte desde a primeira consulta.

Como escolher, na prática

Alguns critérios úteis, independentemente de onde você vá:

Um passo concreto

Se a sua dúvida é justamente qual dos dois caminhos é o seu, a avaliação com tricoscopia responde a isso. Ela custa R$ 100, inclui o exame e é abatida na primeira sessão caso você inicie um protocolo. Dela sai uma hipótese, o registro inicial e uma orientação clara: tratar aqui, tratar aqui com acompanhamento médico em paralelo, ou procurar o dermatologista primeiro.

Você pode entender como a avaliação e o protocolo funcionam na página do método, conhecer a formação e a atuação da Keila em sobre, e marcar na unidade mais próxima: Tatuapé, Moema ou Av. Paulista.


Escrito por Keila Alves, tricologista e terapeuta capilar com 14 anos de clínica capilar especializada em São Paulo.

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Comece pelo diagnóstico

A avaliação com tricologista identifica a causa da sua queda antes de qualquer tratamento. São R$ 100, abatidos na primeira sessão de procedimento.

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