Eflúvio telógeno: a queda que aparece 3 meses depois do susto

O que confunde não é a queda, é o atraso. Quando o cabelo começa a cair, o evento que causou tudo já passou e você nem lembra mais dele.

A pessoa chega dizendo que a queda começou do nada. Não teve estresse, não teve doença, não teve nada diferente. Aí a conversa recua no calendário e aparece: uma cirurgia em março, uma dieta agressiva no começo do ano, uma infecção com febre alta, uma perda na família.

Quase sempre está lá, uns três meses antes. E é exatamente essa distância entre causa e efeito que faz o eflúvio telógeno ser um dos quadros mais mal compreendidos da queda de cabelo.

O que é, em termos simples

Cada folículo trabalha em ciclos. Uma fase longa de crescimento, que dura anos, uma fase curta de transição e uma fase de repouso, chamada telógena, que dura cerca de dois a três meses e termina com a queda daquele fio.

Em um couro cabeludo saudável, a grande maioria dos folículos está crescendo e uma minoria está em repouso, de forma dessincronizada. É isso que faz a reposição diária passar despercebida.

O eflúvio telógeno acontece quando um evento empurra uma parcela grande de folículos para a fase de repouso ao mesmo tempo. Eles não caem na hora: ficam parados pelo tempo que a fase de repouso dura. Só depois desse intervalo é que os fios se soltam, todos juntos.

Daí o atraso. A queda não é o problema acontecendo, é o eco de um problema que já aconteceu.

Os gatilhos mais comuns

Um detalhe que ajuda: raramente é um gatilho só. É comum que uma cirurgia venha com jejum, perda de peso e estresse na mesma temporada, e a soma dos fatores explica a intensidade.

Como ele costuma se apresentar

O padrão tem características que ajudam a diferenciá-lo de outras quedas:

A linha do tempo

Momento O que acontece
Dia zero O evento gatilho, que costuma passar despercebido como causa
2 a 3 meses depois Início da queda, súbita e volumosa
1 a 2 meses seguintes Pico, com a impressão de que “está piorando a cada dia”
3 a 6 meses A queda desacelera e aparecem fios curtos nascendo
6 a 12 meses Recuperação de densidade, com fios novos ainda curtos

O eflúvio telógeno agudo é autolimitado. Removido o gatilho, ele se resolve. Isso significa que, em boa parte dos casos, o tratamento mais importante não é uma sessão, é corrigir a causa e esperar com acompanhamento.

Quando deixa de ser um eflúvio simples

Existem três situações em que a história muda, e é para isso que serve a avaliação.

Quando o gatilho continua ativo. Ferro baixo não corrigido, tireoide descompensada, dieta ainda restritiva, estresse contínuo. Nesse cenário a queda não tem fim previsto, porque o eflúvio se torna crônico. A correção é do lado médico e nutricional, e essa parte não é território da terapia capilar: ela exige acompanhamento com médico.

Quando passa de seis a doze meses sem melhora. Um eflúvio que ultrapassa esse intervalo com queda ainda intensa merece investigação em vez de paciência.

Quando ele revela uma predisposição genética. É a situação mais comum e a mais custosa. O eflúvio derruba fios e, quando a poeira baixa, a densidade não volta ao que era: a risca continua alargando, ou os fios novos nascem visivelmente mais finos. Isso indica alopecia androgenética que estava latente e ficou aparente. Aqui, esperar custa folículo, porque o processo é progressivo.

O que a tricoscopia mostra

A tricoscopia é o que separa esses cenários com objetividade.

Em um eflúvio típico, os fios de uma mesma área têm diâmetro semelhante entre si. Aparecem muitos fios novos crescendo ao mesmo tempo, curtos, com boa espessura na base. Os óstios estão preservados e não há inflamação relevante.

Quando existe alopecia androgenética por baixo, a imagem muda: fios vizinhos com diâmetros diferentes, principalmente no topo e na região central, comparados com a nuca, que costuma ser poupada. Essa heterogeneidade é o achado que indica miniaturização.

E, quando a queda vem acompanhada de coceira ou descamação, o exame identifica a inflamação, que é outro problema, com outra conduta, descrito na página de dermatite seborreica.

O que fazer enquanto o quadro corre

Algumas coisas ajudam, e nenhuma delas envolve promessa de acelerar a natureza:

O tratamento clínico, quando indicado, trabalha o ambiente do couro cabeludo e o suporte ao novo ciclo, com mesoterapia capilar, LED e alta frequência e demais técnicas conforme o quadro. Em um eflúvio puro, ele serve para dar melhores condições ao cabelo que já está voltando. Não é obrigatório em todos os casos, e dizer isso faz parte de uma avaliação honesta.

Onde está o limite

Terapia capilar não investiga causa sistêmica, não pede exames, não faz biópsia e não prescreve medicamento. Suspeita de alteração hormonal, anemia, doença autoimune ou qualquer condição sistêmica é encaminhada ao médico, e o cuidado capilar acompanha em paralelo.

Se a sua queda começou de repente e você não sabe explicar por quê, vale recuar três meses no calendário antes de qualquer coisa. E, se ela já passou de seis meses, se a risca continua alargando ou se os fios novos vieram mais finos, a tricoscopia é o que diferencia um quadro que passa sozinho de um que não passa. A avaliação custa R$ 100, inclui o exame e é abatida na primeira sessão de procedimento. Entenda o processo na página de queda de cabelo e marque no Tatuapé, em Moema ou na Av. Paulista.


Escrito por Keila Alves, tricologista e terapeuta capilar com 14 anos de clínica capilar especializada em São Paulo.

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Comece pelo diagnóstico

A avaliação com tricologista identifica a causa da sua queda antes de qualquer tratamento. São R$ 100, abatidos na primeira sessão de procedimento.

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